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Author Topic: Lenine Rodrigues and his work  (Read 3272 times)

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    • Boats Modeling
Lenine Rodrigues and his work
« on: December 05, 2007, 06:27:44 AM »



- A SUA RELAÇAO COM O TEJO VEM, DESDE QUE NASCEU,
numa travessa virada para o rio - há 62 anos, entre o casario
do Barreiro. Cedo se habituou a ver passar fragatas, faluas,
bateiras e catraios e desde pequeno se apaixonou por
embarcações à vela. "Ainda hoje, sou incapaz de ver passar
um barco à vela e não parar, para o observar", afirma Lenine
Rodrigues, maquetista naval. Desde a madeira a metais nobres
como a prata, este homem dedica-se a fazer réplicas dos barcos
que sempre o encantaram. Teimosia é uma das palavras que
mais utiliza para definir a forma como consegue perfeição
nos seus trabalhos. Nós substituímo-la pela persistência deste
homem que fez a primeira maquete ainda miúdo. O barquito,
de cascalheira - a casca castanha do pinheiro bravo, raspado
sobre o cimento até lhe dar a forma que gostou de ver um
pau e uma vela de papel foram suficientes para correr a
experimentá-lo, pô-lo a navegar na bacia de lavar as mãos. Foi
com tristeza que viu o barquito adornar. Hoje sabe o motivo,
que na altura não sabia: o mastro era excessivamente grande
para o seu tamanho. E, ironia do destino, foram precisamente
os barcos à vela que se dedicou a reproduzir, à escala exacta,
escolhida por si ou pelo cliente.
Em 19S7 o pai imigra para França. Dois anos depois Lenine
segue o mesmo caminho com a mãe. Se em Portugal já se
tinha tornado aprendiz de carpinteiro, em França aprende o
ofício de torneiro mecânico, trabalhando com "os três tornos:
o vertical, o paralelo e o suspenso". Chegou ao mais alto nível
deste ofício, "era requisitado para trabalhar na França toda,
inclusive na aeronáutica". Entretanto, ao mesmo tempo,
frequentava a escola ABC de Paris, uma "escola de artistas
plásticos: desenho, pintura, desenho publicitário, tudo o que
dizia respeito à arte". Para onde ia levava o papel e os lápis.
Fez o curso pelo amor que desde miúdo sentia pelas artes
plásticas, mas também porque lhe prometeram emprego no
fim do estudo. A falência da firma que o empregaria veio a
impossibilitar esse sonho e Lenine manteve o hobby a par
com o seu ofício. Por motivos particulares, Lenine Rodrigues
regressa a Portugal em 1976.



De auto didacta a maquetista naval
No início era um ilustre desconhecido que trabalhava para
si mesmo. A oficina era dividida em duas partes, uma onde
trabalhava como serralheiro, outra onde dava azo à sua veia
artística. Pintura, gravura, escultura, maquetismo, tudo lhe
servia para se entreter. Um dia o seu hobby foi descoberto
por dois amigos, um deles jornalista. Na semana seguinte
um jornal do Barreiro falava de Lenine Rodrigues e do seu
trabalho. Surgiram as primeiras encomendas para o núcleo
naval do Museu de Almada e não parou mais.

Um desafio vencido
Em 1998 Lenine Rodrigues aceita o desafio que lhe é colocado
pela Joalharia Torres: fazer 13 miniaturas em prata. Trabalhar
em prata é totalmente diferente de trabalhar madeira.
Habituado a fazer os seus modelos em cavername, tal qual
eles são construídos em tamanho natural e também através da
prática que na gíria se chama o "pão com manteiga", técnica
que não perde valor, a prata obriga-o a martelar e moldar
sobre um cepo: acerta de um lado, foge do outro. Mas "venci o
desafio", diz. As treze peças foram entregues e posteriormente
expostas no Centro Comercial Colombo.
Autodidacta, os conhecimentos de carpintaria e de torneiro
mecânico e foram-lhe sempre úteis. "Para se poder ser
torneiro mecânico temos de saber ler desenho. Quando se
sabe é fácil compreender o desenho naval", e remata "depois
fui-me informando".
Modesto, o facto de ter peças espalhadas por vários locais
públicos e colecções particulares, entre as quais se contam a
do rei Juan Carlos de Espanha, em nada lhe mudou a maneira
de ser. "Não posso dizer que não sinto orgulho, mas continuo
a ser a mesma pessoa que era quando me iniciei".




HIS RELATIONSHIP WITH THE TAGUS HARKS BACK TO
the alley in Barreiro where he was born 62 years ago, with a view
to the river. Watching boats of all kinds sail by soon became
a habit, and then a passion. "Even today, 1'm incapable of not
stopping to watch whenever a boat sails by", says Rodrigues,
ship modeller. From wood to noble metals such as silver, this
man dedicates his life to making replicas of the boats that always
held him spellbound. Stubbornness is one of the words he most
uses when asked to define how he achieves a perfect result with
each and everyone of his works. We prefer 'persistence', more
appropriate for a man who began his work at a tender age. A
pinewood boat - for which a young Rodrigues scraped the
material over concrete until he was satisfied with the result, a
stick and a paper sail were enough to try a miniature vessel out
in a water basin. It was with sadness that Rodrigues saw the boat
keel over. Today, he knows what he then didn't: the mast was
excessively large for the vessel's size. Ironically, it was percisely
sailing boats that Rodrigues then made a point of crafting at a
scale chosen by himself or his client.
In 1957, his father immigrates to France. Two years after, Lenine
joins him with his mother. Already a carpenter's apprentice in
Portugal, he then learned in France how to work with a wheel,
"the vertical, the parallel, and the suspended type". He excelled
in his craft, and "was commissioned to do all types of work,
even aeronautics". At the time, he frequented Paris' ABC school,
"a school for plastiC artists: design, painting, advertising, all
sorts of art forms". Whenever he went, he took paper and a
pencil. His main motivation to finish the course was the passion
he had always felt for arts, but also because he was promised
employment as soon as he finished. His employing firm went
however bankrupt, and the dream became suddenly unattainable,
but Lenine kept his hobby alongside his craft. For personal
reasons, he returned to Portugal in 1976.



From autodidact to ship modeller
In the beginning, Rodrigues was but an illustrious selfemployed
man. His workshop was divided in two parts, one
for his locksmith job, the other dedicated to his artistic streak.
Painting, engraving, sculpting, modelling, anything would do.
One day, his hobby became known to two of his friends, one of
whom a journalist. The next week, a Barreiro local newspaper
had an article about Lenine Rodrigues and his work. The first
commissions came from Almada's Nautical Museum, and since
then they came unceasingly.



An overcome challenge
In 1998, Lenine Rodrigues took up the challenge proposed to
him by jewellery shop Torres: 13 silver miniatures. Working in
silver has little to do with the techniques used with wood. It
must be hammered and worked over a stump, as any adjustments
on one side unalign the other. "I did it, though", says Rodrigues.
The thirteen pieces were delivered, and subsequently exposed in
Colombo Shopping Centre.
As an autodidact, the know-how he acquired as a carpenter and
wheelworker was always very useful. "To be a wheelworker,
you have to know how to read a drawing, even if it's of the
mechanical type. When you know that, it's easy to understand
nautical deSign. The I just kept myself informed on the goingson",
says Rodrigues.
Modest to a fault, the fact that his pieces are displayed in several
public spots and private collections - among which that of king
Juan Carlos of Spain - leaves him completely unfazed. "I can't
say I'm not proud, but I'm still the same person I was when I
first started working".





« Last Edit: December 05, 2007, 07:03:58 AM by oliveira »


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